quinta-feira, 22 de março de 2012

Aniversário de vida do Servo de Deus Álvaro del Portillo

A 11 de Março de 1914 nascia em Madrid D. Álvaro del Portillo, primeiro sucessor de São Josemaria à frente do Opus Dei

Servo bom e fiel, palavras de Jesus Cristo no Evangelho que João Paulo II aplicava a D. Álvaro del Portillo. 

No telegrama que João Paulo II me enviou ao receber a notícia do falecimento imprevisto de D. Álvaro del Portillo, o Papa aplicava ao meu predecessor as palavras de Jesus Cristo no Evangelho: servo bom e fiel. Com ânimo agradecido ao Senhor, o Santo Padre recordava “a vida sacerdotal e episcopal diligente de D. Álvaro, o exemplo de fortaleza e de confiança na Providência Divina que constantemente patenteou, bem como a sua fidelidade à sede de Pedro e o seu serviço eclesial generoso”.

Poucos dias antes de ser chamado à presença de Deus, D. Álvaro del Portillo reflectia sobre a virtude da fidelidade. Decorriam os dias de oração nos Lugares Santos, onde D. Álvaro seguiu com piedade as pegadas de Jesus. Entre as mensagens que enviou da Terra Santa a diversas pessoas, havia uma dirigida ao Secretário de João Paulo II, D. Stanislaw Dziwisz, cuja leitura adquire hoje especial importância. Cito este episódio com a autorização explícita do destinatário do postal.

Com o pedido de que transmitisse ao Papa a sua profunda união e fidelidade, D. Álvaro escrevia: Estimado amigo: nestes santos lugares rezei – rezámos – muito por si, vir fidelis, e com a súplica de que queira apresentar ao Santo Padre o nosso desejo de sermos fideles usque ad mortem, no serviço à Santa Igreja e ao Santo Padre.

Fidelidade a Deus, em primeiro lugar. Nascido e ducado no seio de uma família profundamente cristã, D. Álvaro aprendeu dos pais um modo de actuar em plena consonância com a fé recebida. Com naturalidade, sem hipocrisias, soube aliar as actividades normais de um jovem – estudo, desporto, amizade, etc. – a uma piedade sincera e profunda. Deus preparava-o assim para o encontro com São Josemaria Escrivá, que teve lugar quando D. Álvaro tinha 21 anos, e que iria dar pleno sentido à sua vida.

Desde então, com a ajuda da graça, sob a orientação directa do Fundador do Opus Dei, D. Álvaro empenhou-se com todas as suas forças na realização da missão que a Providência quis para ele: aprender de São Josemaria o espírito do Opus Dei, convertê-lo em vida da sua vida, e transmiti-lo depois com extraordinária fidelidade a muitas outras pessoas.


Álvaro del Portillo antes da ordenação sacerdotal, em 1944
Álvaro del Portillo antes da ordenação sacerdotal, em 1944
O caminho aqui na terra de D. Álvaro poderia definir-se como um progresso constante na fidelidade a Deus, o que significa um empenho quotidiano na conversão pessoal. É este o convite que nos é dirigido a nós, particularmente no tempo litúrgico da Quaresma. Com palavras de São Josemaria, e tendo em como pano de fundo as palavras do meu predecessor, podemos perguntar-nos a nós mesmos: “avanço na minha fidelidade a Cristo?, em desejos de santidade?, em generosidade apostólica na minha vida diária, no meu trabalho de todos os dias com os meus companheiros de profissão? Cada um, sem ruído de palavras, que responda a estas perguntas, e verá como se torna necessária uma nova transformação, para que Cristo viva em nós, para que a sua imagem se reflicta limpidamente na nossa conduta”. 
Inseparável da fidelidade a Deus é a fidelidade de D. Álvaro del Portillo à Igreja e ao Romano Pontífice. Neste sentido falam por si tantos anos de serviço à Santa Sé que começaram quando da sua chegada a Roma em 1946 e continuaram até à sua morte. Durante quase cinquenta anos, de diferentes modos, D. Álvaro não poupou esforços para servir da melhor maneira a Igreja, o Romano Pontífice e todas as almas.

Desde os primeiros encargos que teve nos departamentos da Santa Sé, até à intervenção nos trabalhos do Concílio Vaticano II e à participação em Sínodos de Bispos, a sua trajectória nestes longos anos romanos caracterizou-se por um serviço fecundo e silencioso à Igreja e ao Papa. Nunca dizia que não quando lhe era pedida a sua colaboração. Acolhia a todos com um sorriso e uma paz que eram refrigério para os outros.

Esta fidelidade à Igreja e ao Romano Pontífice adquiria nova luz em momentos singulares. Especialmente quando o Santo Padre exprimia os seus desejos relacionados com a nova evangelização que devia levar-se a cabo nos países de antiga tradição cristã. Ou quando o próprio Romano Pontífice manifestava a sua preocupação em relação à paz em diversas partes do mundo.
Um homem fiel

Não é possível falar agora de tantas respostas de D. Álvaro del Portillo. Mas todos recordamos gestos concretos de apoio e de solidariedade, cheios de dedicação e lealdade para com o Santo Padre. Como quis recordar há uns dias, na sessão de abertura do tribunal da Prelatura instituído para seguir a Causa de canonização, a conduta de D. Álvaro inspirou-se sempre no lema que tinha aprendido de São Josemaria: “fazer o ruído de três e o trabalho de três mil”.

Ante o nosso olhar temos um luminoso exemplo de fidelidade à vocação no desempenho das tarefas que Deus confia a cada pessoa. D. Álvaro colocou todas as suas qualidades humanas e sobrenaturais – e eram muitas para falar verdade – ao serviço da missão que tinha recebido.

Hoje, ao recordar no altar este servo de Deus bom e fiel, convido-vos a recorrer de modo privado à sua intercessão. Queira o Senhor que também na nossa existência corrente resplandeça – como em D. Álvaro – a virtude humana e cristã da fidelidade. É uma possibilidade ao alcance de todos, com o auxílio divino, se nos decidimos a converter-nos, em dia, nas coisas grandes e nas pequenas, porque tudo é grande quando se faz por amor de Deus.

Sigamos, pois, o ensinamento de São Josemaria numa das suas homilias: “Quando se deseja sinceramente viver da Fé, do Amor e da Esperança, a renovação da entrega não consiste em retomar uma coisa que tinha entrado em desuso. Quando há Fé, Amor e Esperança, renovar-se - apesar dos nossos erros pessoais, das quedas, das debilidades - é manter-se nas mãos de Deus: confirmar um caminho de fidelidade. Renovar a entrega é renovar, repito, a fidelidade àquilo que o Senhor quer de nós: amar com obras”.

Confiamos estes propósitos à Virgem Maria, Virgo fidelis, e ao seu esposo São José. Com a sua intercessão também nós seremos fiéis à nossa vocação cristã. E seremos felizes, porque, como São Josemaria afirma, fidelidade é sinónimo de felicidade: felicidade aqui na terra, com os limites da nossa actual condição, e felicidade completa no Céu.